Documentário
de
Bruno
Bacellar,
Luís
Fernando
Couto
e
Regina
Rocha.
73
minutos
Antônio
Candeia
Filho
e a
criação
da
GRANES
Quilombo
Um
história
de
luta,
resistência
e um
profundo
amor
pela
arte!
17 DE AGOSTO, ANIVERSÁRIO DE CANDEIA
Sobre o filme
A primeira reação que se tem ao assistir o filme é de surpresa. De como é inacreditável uma história tão forte, bonita e importante ser praticamente desconhecida por todos. E quantas histórias tão belas e essenciais ainda não conhecemos neste país? A comunicação comercial não consegue, ou melhor, não quer dar conta de toda produção cultural popular existente e passada. Com tantos orçamentos milionários, por que não há um real programa de incentivo a pequena produção cinematográfica? O cineasta Domingos de Oliveira já chamou atenção para o fato através do seu manifesto BOAA.
A sensação que fica ao sairmos do cinema é que temos ali um filme heróico.
Quanto terá sido o orçamento de “O Mistério do Samba”, o filmaço da Velha Guarda da Portela, ou o de “Cartola” recentemente exibido. Nada menos de 1 milhão cada um, com certeza.
O que dizer quando um jovem sociólogo, sem nenhuma experiência anterior na cinematografia, mete a mão em seu próprio bolso, reúne seus parceiros Luís Fernando Couto e Regina Rocha, ele artista plástico, ela jornalista, e gasta exatos sete mil reais para realizar o filme?
Se as comparações são inevitáveis, vale dizer que diante daqueles outros a fita de Bruno Bacellar está longe de “desaparecer”. Se for certo que não se viu qualidades mínimas de som e que se viu imagens imprecisas, o filme mostra o imenso vigor físico e pessoal de Candeia e da escola de samba que criou.
As novas gerações que ali estiveram, e que tanto ouvem falar do ‘mestre’, tiveram a oportunidade de enriquecer seus referenciais com um personagem singularíssimo na história da Portela e do samba.
Esta é a grande mensagem do filme... maior que a imagem de Candeia e as imagens da Quilombo. A mensagem da lição que Candeia deixou, transmitiu aos próprios realizadores e a equipe, se é que houve alguma equipe. E deixa para todos os outros Brunos, Luizes e Reginas a mostra do quanto há para ser pesquisado... mostrado; o quanto da história da cultura do povo brasileiro está escondido por aí.
Sabe-se que as leis de incentivo à cultura financiaram uma verdadeira fortuna só para a realização de festivais para mostrar filmes. Cerca de cem festivais se realizam anualmente, algo parecido como uma orgia de recursos desperdiçados, no mínimo um desequilíbrio de prioridades.
E esta é a lição dos realizadores. Sem chororô, com uma câmera na mão e o Candeia na cabeça, nutriram-se da inesgotável energia do mestre e puseram na tela um resultado final repleto de imperfeições técnicas mas repleto ainda de amor e dedicação ao samba. Não duvido que, dos três, pelo menos um seja portelense.
Para os que estavam com uma pontinha de ciúmes dos Cariocas porque o documentário Eu Sou o Povo, que fala sobre o Quilombo e Candeia, só estava sendo exibido no Rio, agora chegou a nossa vez!
Não marquem nenhum compromisso para o dia 07/11 pois nesta data o documentário será exibido pela primeira vez em São Paulo. Após muitas conversas, e-mails e contatos com diversos lugares conseguimos uma resposta positiva da Cinemateca Brasileira, que ficou interessada no documentário e incluiu a exibição na programação de Novembro.
Cinco meses depois de voltar a desfilar na avenida, o GRANES Quilombo, escola de samba fundada por Antônio Candeia Filho, tem mais um estímulo importante para a retomada de suas atividades: o documentário “Eu sou o povo!”, da trinca de estreantes Bruno Bacellar, Luis Fernando Couto e Regina Rocha.
Embora o material de divulgação do documentário diga “Eu sou o povo! Sobre Antônio Candeia Filho”, o filme não é propriamente sobre Candeia, como explica Bruno Bacellar, em entrevista ao blog O Samba:
“O filme não é exatamente sobre ele. É sobre o Quilombo, mas não há como se falar de Quilombo sem falar do Candeia e vice-versa”, esclarece o diretor.
E ele tem razão. A escola de Fazenda Botafogo, Zona Norte do Rio, foi idealizada em 1975 não apenas por Candeia, mas também por outros sambistas – oriundos ou não de escolas de samba – que estavam insatisfeitos com o rumo comercial que as agremiações vinham tomando.
“Os ideais do Quilombo são do Candeia e de todos que rumaram para lá. São daqueles que buscaram resistir às modificações que estavam ocorrendo no Carnaval, às que puseram de lado os sambistas e toda a gente que vivia o cotidiana das escolas”, diz Bruno.
Filme tem imagens inéditas da escola O documentário levou um ano pra ser concluído e ficou com 73 minutos no corte final. Os diretores prometem cenas inéditas, como de Paulinho da Viola como diretor de harmonia da escola. Muitas imagens foram conseguidas no acervo do MIS (Museu da Imagem e do Som), resultado de um acordo, o que impede – por enquanto – a distribuição comercial da obra.“Quem sabe, no futuro, a gente não renegocia. Vamos mostrar em universidades e escolas, festivais, mostras públicas. É só nos convidar que nós vamos”, acrescenta Bruno.
Estou chegando...
Venho com fé. Respeito mitos e tradições. Trago um canto negro. Busco a Liberdade. Não admito moldes.
As forças contrárias são muitas. Não faz mal...Meus pés estão no chão. Tenho certeza da vitória.
Minhas portas estão abertas. Entre com cuidado. Aqui, todos podem colaborar. Ninguém pode imperar.
Teorias, deixo de lado. Dou vazão à riqueza de um mundo ideal. A sabedoria é meu sustentáculo. O amor é meu princípio.
A imaginação é minha bandeira.
Não sou radical. Pretendo, apenas, salvaguardar o que resta de uma cultura. Gritarei bem alto desafiando um sistema que cala vozes importantes e permite que outras totalmente alheias falem quando bem entendem. Sou franco-atirador. Não almejo glórias. Faço questão de não virar academia. Tampouco palácio. Não atribua a meu nome o desgastado sufixo -ão. Nada de forjadas e malfeitas especulações literárias. Deixo os complexos temas à observação dos verdadeiros intelectuais. Eu sou povo. Basta de complicações. Extraio o belo das coisas simples que me seduzem. Quero sair pelas ruas dos subúrbios com minhas baianas rendadas sambando
sem parar. Com minha comissão de frente digna de respeito. Intimamente ligado às minhas origens.
Artistas plásticos, figurinistas, coreógrafos, departamentos culturais, profissionais: não me incomodem, por favor. Sintetizo um mundo mágico. Estou chegando...